Mariposa oriental ou grafolita
 
Grapholita molesta
(Busk 1916)
Lepidoptera:Tortricidae

Descrição
Reconhecimento dos danos

Descrição

         A forma adulta da praga é uma pequena mariposa de cerca de 12mm de envergadura, de coloração pardo-escuro-acizentado com algumas estrias de coloração branca (figura abaixo). Os ovos são diminutos (0,7mm de diâmetro) e tem formato de pequenos discos, ligeiramente convexos e esbranquiçados (figura abaixo). São postos isoladamente na face inferior de folhas novas, nas brotações, em ramos novos e nos frutos.

Mariposa da grafolita
(foto de J.K. Clark).

Ovo da grafolita
(foto de J.K. Clark).

         As lagartas recém eclodidas são branco-acizentadas com cabeça preta, porém quando completamente desenvolvidas apresentam coloração branco-rosada com cabeça marrom e atingem de 12 a 14mm de comprimento (figura abaixo). As crisálidas são frágeis e ficam abrigadas em casulos de seda, tecidos pelas lagartas, em fendas da casca dos troncos ou ramos, nas axilas dos ramos, ou em detritos no solo. Apresentam coloração amarelo-acastanhado e medem aproximadamente 6mm de comprimento.
         A grafolita passa o inverno em diapausa na forma larval, num casulo sob as cascas das árvores, ou folhas aderidas aos ramos, em frutos mumificados ou sobre o solo entre as folhas (figura abaixo). Quando em diapausa as lagartas apresentam-se escurecidas.

Lagarta da grafolita (foto de J.K. Clark).

Lagarta da grafolita no abrigo hibernal
(foto de J.K. Clark).

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Reconhecimento dos danos

          As lagartas atacam os ponteiros e frutos das fruteiras de clima temperado. Nos ponteiros se alimentam dos primórdios foliares e depois penetram na medula, abrindo uma galeria de 2 a 10 cm de extensão. O ponteiro atacado seca e fica enegrecido, podendo haver exudação de goma pelo orifício de entrada da lagarta (figuras ao lado e abaixo). É comum as lagartas abandonarem o ponteiro atacado para se instalar em outros em busca de alimento. Uma única lagarta pode atacar de 3 a 7 ponteiros da mesma planta, geralmente próximos um do outro.


Ponteiro de pessegueiro atacado pela grafolita
(foto de PennState).


Dano de grafolita em ponteiro
de pessegueiro.
          Os danos nos ponteiros são mais prejudiciais em viveiros de mudas e em pomares jovens em formação, pois há uma tendência natural das plantas atacadas emitirem brotações laterais, prejudicando a "arquitetura" e crescimento das mesmas. Em macieira o ataque em ponteiros provenientes da poda verde impede a formação das gemas terminais e conseqüentemente perde-se a floração destes ramos.

Sintoma externo do ataque de grafolita
em fruto de ameixeira.


          Nos frutos as lagartas penetram preferencialmente pela região do pedúnculo ou do cálice e vão se alimentar da polpa próximo à região carpelar ou caroço (figura abaixo). No ponto de penetração das lagartas pode-se observar a deposição de excrementos envoltos em fios de teia e eventualmente aderidos à goma exudada (figura ao lado). Frutos atacados apresentam galerias e tornam-se imprestáveis para comercialização. Quando muito pequenos os frutos atacados podem murchar e cair prematuramente.


Sintoma externo do ataque de grafolita
em fruto de ameixeira (foto de R. Coutin).

          O maior ataque aos frutos de pêssego e ameixa ocorre no período compreendido entre o endurecimento do caroço e a pré-maturação, ou seja, de 5 a 6 semanas após a plena floração até 15 a 20 dias antes da colheita. Na prática, frutos de pessegueiro atingem em torno de 2cm de diâmetro após o endurecimento do caroço. Em ameixa este tamanho varia bastante em função da cultivar, ficando por volta de 1,5cm de diâmetro.

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Leitura recomendada

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