Lagarta enroladeira
 
Bonagota cranaodes
(Meyrick 1937)
Lepidoptera:Tortricidae

Descrição
Reconhecimento dos danos

Descrição

         A lagarta enroladeira é uma espécie da fauna nativa que há pouco tempo se tornou praga nos cultivos de pomáceas (macieira e afins). Os primeiros registros datam de meados da década de 80, quando a espécie ainda era classificada como Phtheochroa cranaodes Meyrick.
         A forma adulta da praga é uma mariposa com cerca de 16mm de envergadura e 7 a 10mm de comprimento. Apresenta as asas anteriores castanho escuro com diversas manchas de cor clara, que quando estas estão fechadas, conferem ao inseto o aspecto de fezes de pequenos pássaros. As asas posteriores são cinza claro, franjadas nos bordos anal e apical (figura abaixo).
         As posturas são feitas na superfície superior das folhas, em grupos de 40 ovos, cobertos por uma massa gelatinosa clara. Logo após a eclosão, as lagartas passam para a superfície inferior das folhas, instalando-se próximo à nervura principal, onde produzem galerias (figura abaixo).

Mariposas da lagarta enroladeira
sobre folha de macieira.

Postura de lagarta enroladeira
(foto de H.F.R.I.).

         As lagartas quando atingem seu pleno desenvolvimento medem de 15 a 18mm de comprimento e apresentam coloração predominante verde, com algumas estrias de coloração clara no dorso (figura abaixo). As crisálidas apresentam inicialmente coloração esverdeada, a qual se altera gradativamente até o marrom escuro próximo à emergência dos adultos (figura abaixo).
         A coloração das lagartas pode variar, sendo comum tons que vão do verde claro até o branco ou marrom esbranquiçado. Tal como ocorre na goiabeira serrana (Feijoa sellowiana Berg), algumas outras espécies menos freqüentes estão envolvidas sob esta mesma designação, o que justifica de certa forma a variação na coloração das lagartas. Argyrotaenia sphaleropa (Meyrick, 1909), uma pequena mariposa de coloração ocre ou mostarda, é uma destas espécies que tem sido freqüentemente capturada em pomares de macieira (veja traça dos frutos).

Lagarta enroladeira
(foto de R. Coutin).

Pupa da lagarta enroladeira
(foto de H.F.R.I.).

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Reconhecimento dos danos

          As lagartas danificam tanto as folhas quanto os frutos. O dano às folhas (figura abaixo) geralmente é de pouca expressão econômica, e nem justificaria controle. As lagartas tecem teias com as quais enrolam e juntam folhas umas às outras, ou aos ramos e mesmo aos frutos, ficando protegidas mesmo quando se alimentam das paredes contíguas das folhas. No outono fica evidente a presença das lagartas ou de sua ação, pois as folhas aderidas aos ramos não caem.
          Os frutos atacados perdem o valor comercial, pois as lagartas ao se alimentarem da casca, causam lesões superficiais que comprometem a aparência do produto (figura abaixo). As lagartas se instalam preferencialmente na região peduncular, ou no ponto de contato entre frutos ou entre folhas e frutos.

Dano da lagrta enroladeira em folhas de macieira
(foto de autor desconhecido).

Dano ocasionado pela lagarta enroladeira
em fruto de pera (foto de R. Coutin).

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Leitura recomendada

Alvarez, P.R.; Gonzales, R.H. Biologia de la polilla enroladeira del peral, Proeulia auraria (Clarke). Revista Frutícola, v.3, n.3, p.75-80, 1982.
Eiras, A.E.; Kovaleski, A.; Vilela, E.F.; Souza, C.E.P.; Frigheto, R.S. F.; Friguetto, N. Comportamento de chamamento da fêmea de Phtheochroa cranaodes (Lepidoptera: Tortricidae) e extração do feromônio sexual. In: Congresso Brasileiro de Entomologia, 14., Piracicaba, 1993. Resumos. Piracicaba:SEB/ESALQ, 1993. p.86.
Eiras, A.E.; Delmore, L.R.K.; Parra, J.R.P.; Pique, M.P.R.; Vilela, E.F.; Kovaleski, A. Biologia comparada da lagarta enroladeira Phtheochroa cranaodes (Meyrick) (Lepidoptera:Tortricidae) em duas dietas artificiais. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, v.23,n.2, p.251-257, 1994.
Hickel, E.R.; Ducroquet,J.-P.H.J. Entomofauna associada à goiabeira serrana (Feijoa sellowiana Berg). Revista Brasileira de Fruticultura, v.14, n.2, p.101-107, 1992.
Kovaleski, A. Eficiência de inseticidas no controle da lagarta enroladeira (Phtheocroa cranaodes) em condições de laboratório. Hortisul, v.3, n.2, p.30-32, 1994.
Kovaleski, A. Manejo da lagarta enroladeira Phtheochroa cranaodes (Meyrick) em pomares de macieira. In: Encontro de Fruticultura de Clima Temperado, 2., Vacaria, 1996. Anais. Vacaria:UNCS, 1996. p.42-43.
Kovaleski, A.; Bottom, M.; Dias, J.; Sugayama, R.L. Manejo da lagarta enroladeira Bonagota cranaodes (Tortricidae) e da mosca-das-frutas Anastrepha fraterculus (Tephritidae) em pomares comerciais de macieira. In: Congresso Brasileiro de Entomologia, 17., Rio de Janeiro, 1998. Resumos. Rio de Janeiro:SEB/UFRRJ, 1998. p.380.
Kovaleski, A.; Botton, M.; Eiras, A.E.; Vilela, E.F. Lagarta enroladeira da macieira Bonagota cranaodes (Meyrick, 1937) (Lepidoptera: Tortricidae): bioecologia, monitoramento e controle. Bento Gonçalves: Embrapa Uva e Vinho, 1998. 16p. (Embrapa Uva e Vinho. Circular Técnica, 24).
Lorenzato, D. Ensaio laboratorial de controle da traça-da-maçã Phtheocroa cranaodes Meyrick, 1937, com Bacillus thuringiensis Berliner e inseticidas químicos. Agronomia Sulriograndense, v.20, n.1, p.157-164, 1984.
Nasu, Y.; Kawasaki, K.; Arakaki, N. Statherotis discana (Felder et Rogenhofer) (Lepidoptera:Tortricidae) injurious to litchi from Japan. Applied Entomology and Zoology, v.28, n.1, p.97-101, 1993.
Sugayama, R.L.; Dias, J.; Bottom, M.; Kovaleski, A. Distribuição espacial de Anastrepha fraterculus e Bonagota cranaodes em pomar comercial: áreas críticas e implicações para o manejo. In: Congresso Brasileiro de Entomologia, 17., Rio de Janeiro, 1998. Resumos. Rio de Janeiro:SEB/ UFRRJ, 1998. p.640.
Tavares, A.M. Horário de emergência e de cópula de Bonagota cranaodes (Meyrick) (Lepidoptera: Tortricidae) e resposta a isômeros sintéticos do acetato de dodecadecenila. Viçosa:UFV, 1997. 40p. (Tese de mestrado).


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