Pérola-da-terra ou margarodes
   
Eurhizococcus brasiliensis
(Hempel 1922)
Homoptera:Margarodidae

Descrição
Reconhecimento dos danos

Descrição

         A pérola-da-terra é uma cochonilha subterrânea que infesta as raízes das plantas, tanto cultivadas como silvestres (figura abaixo). Várias plantas frutíferas são atacadas por essa cochonilha, porém, ela só é considerada praga importante na cultura da videira.
         As cochonilhas desenvolvem corpos globosos (6,5 a 10 mm de comprimento) de coloração amarela intensa com brilho nacarado, denominados cistos ou pérolas-da-terra (figura abaixo)
.

Cistos da pérola-da-terra em
raízes de videira.

Cistos completamente desenvolvidos
da pérola-da-terra.


         Os indivíduos normalmente são fêmeas que morrem quando efetuam a postura, deixando o cisto repleto de ovos, esbranquiçado e com paredes frágeis e quebradiças (figura abaixo). Advém a seguir a fase de rompimento e liberação de ovos e ninfas móveis, quando o grande número de ninfas eclodidas pressiona e rompe as frágeis paredes do cisto, permitindo sua dispersão para outros sítios de infestação (figura abaixo).


Cisto branco da
pérola-da-terra.

Rompimento do cisto de pérola-da-terra, com
liberação de ninfas móveis e ovos.

          Formigas doceiras, principalmente a formiga argentina, Linepithema humile (Mayr) (figura ao lado), se associam aos cistos de pérola-da-terra em busca dos excrementos açucarados da cochonilha. Desta associação resulta também um aumento da dispersão da praga dentro do parreiral, pois as formigas transportam as ninfas móveis recém eclodidas de um local para outro, adotando-as como suas próprias crias.
          Após a fixação das ninfas móveis nos sítios de infestação (partes de raízes livres de solo presentes nas câmaras de larvas e pupas dos formigueiros), ocorre o processo de formação do cisto. As ninfas crescem e assumem o formato esférico. Com o decorrer das mudas, perdem as pernas e secretam a carapaça quitinosa que envolve todo o seu corpo.

Formiga argentina Linepithema humile (Mayr)
(foto de J.K. Clark).

         Quando as formigas se ausentam da associação os cistos costumam ficar incrustados dentro de pelotas coriáceas de cor escura. Estas "cascas" resultam do desenvolvimento de fungos no líquido açucarado expelido pelas cochonilhas (figura abaixo).
         O completo desenvolvimento dos cistos geralmente origina fêmeas dermestóides móveis (ou fêmeas ambulatórias) (figura abaixo), que podem morrer dentro do cisto após efetuarem a postura ou então, romper o cisto e subir a superfície do solo para um eventual acasalamento; retornando em seguida para dentro do solo
.

Cistos de pérola-da-terra incrustados num envoltório
coriáceo resultante do desenvolvimento de fungos.

Fêmeas dermestóides móveis (ou ambulatórias)
da pérola-da-terra.

Macho alado da pérola da terra.

         Não muito comum, o desenvolvimento dos cistos pode originar machos dermestóides móveis, que se transformam em pseudopupas próximo a superfície do solo; das quais emergem os machos alados (figura ao lado). Estes machos não vivem mais que dois dias e durante sua breve vida apenas procuram fêmeas na superfície do solo para realizar a cópula.
         
Pouco conhecimento se tem acerca de ovos fecundados. Sabe-se que são postos livres no solo, num característico "cordão de contas", porém seu desenvolvimento ainda não foi observado em laboratório. A própria origem dos machos da espécie, se de ovos partenogenéticos ou fecundados ainda permanece obscura.
         Durante o período hibernal, mesmo estando a planta sem folhas, os cistos jovens de pérola-da-terra não interrompem seu desenvolvimento. As transformações são mais lentas, porém o inseto se mantém ativo. Cistos que chegam ao inverno já completamente formados, parecem entrar em quiescência hibernal, caracterizada pelo não aparecimento de posturas durante o período adverso de baixas temperaturas. Não parece se tratar de diapausa, pois estes cistos se transferidos para condições favoráveis artificialmente, entram em reprodução transformando-se em cistos com ovos.

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Reconhecimento dos danos

         A ação de sucção de seiva nas raízes da videira provoca um definhamento progressivo, com redução de produção e mesmo morte de plantas. Em plantas infestadas as folhas apresentam-se com um amarelecimento entre as nervuras, semelhante à deficiência de magnésio (figura abaixo); os bordos da folha se encarquilham para dentro, ocorrendo em alguns casos queimaduras nas bordas. Plantas com estes sintomas geralmente tem baixo vigor, entrenós curtos, entram em declínio e morrem (figura abaixo).
         Eventualmente, a pérola-da-terra pode provocar a morte de mudas de ameixeira ou mesmo quivizeiro, especialmente se forem mudas fracas ou plantadas sem os devidos cuidados
.

Folhas de plantas infestadas pela pérola-da-terra com
sintoma semelhante à deficiência de magnésio.

Aspecto geral da falta de vigor em plantas
infestadas pela pérola-da-terra.

          Insetos em diferentes estágios de desenvolvimento podem ser encontrados na mesma planta durante todo o ano, porém em determinados períodos prevalecem determinadas formas. Assim, a confirmação do diagnóstico fica mais fácil de maio a janeiro quando prevalecem os cistos grandes.
          No solo, o inseto fixado em raízes, já foi encontrado até a profundidade de 1m, porém a maior concentração de cistos fica na faixa de 5 a 30 cm de profundidade, em raízes com diâmetro ao redor de 8 mm.

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Leitura recomendada

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