Piolho de São José
  
Quadraspidiotus perniciosus
(Comstock 1881)
Homoptera:Diaspididae

Descrição
Reconhecimento dos danos

Descrição

         A fêmea adulta da cochonilha é de coloração amarelada e vive protegida sob uma carapaça arredondada cinza-escura, de aproximadamente 2 mm de diâmetro e com uma pequena depressão no centro. A carapaça do macho é oval alongada, medindo cerca de 2 mm de comprimento (figura abaixo).
         O macho, quando adulto, abandona a carapaça como forma alada (figura abaixo). As assas anteriores são frágeis e membranosas e as asas posteriores atrofiadas. A atividade de vôo permite aos machos se deslocarem até as fêmeas para o acasalamento, sendo este processo mediado por feromônio sexual exalado pelas fêmeas.

Fêmeas e machos da cochonilha piolho de São José
(foto de C. Bénassy).

Macho alado da cochonilha piolho de São José
(foto de J.K. Clark).

         Aproximadamente um mês após o acasalamento, inicia o nascimento das ninfas móveis (não há oviposição), sendo que cada fêmea pode gerar de 150 a 500 ninfas, parindo cerca de dez por dia. As ninfas de primeiro ínstar (figura abaixo) emergem pelas bordas da carapaça da mãe. São amarelas, possuem pernas e se movem até a fixação no hospedeiro, quando então iniciam a formação da carapaça. A primeira carapaça é de coloração branca, porém nos estágios seguintes já adquire a coloração cinza- escura (figura abaixo).

Ninfas móveis (1º instar) do piolho de São José
(foto de J.K. Clark).

Ninfas hibernantes (2º instar) do piolho de São José
(foto de J.K. Clark).

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Reconhecimento dos danos

          O piolho de São José pode incidir tanto no tronco, como em ramos, folhas e frutos. Neste aspecto difere um pouco da cochonilha branca que, preferencialmente, infesta as partes lenhosas das plantas.
          Quando a infestação ocorre em tecidos tenros, a cochonilha provoca a formação de manchas pigmentadas em torno de si. Assim nos ramos novos e folhas há o surgimento de manchas violáceas (figura abaixo) e nos frutos surgem pintas vermelhas, correspondentes aos locais de fixação dos indivíduos (figura abaixo). Em frutos de maçã este sintoma pode ser confundido com a incidência de sarna de verão.

Porção basal de ramo de ameixeira
infestada pelo piolho de São José
(foto de J.K. Clark)
.

          Dada esta peculiaridade no ataque do piolho de São José, a busca de plantas infestadas tem que ser feita pela observação da porção basal de ramos novos, principalmente na época da poda, ou então durante a colheita pela análise dos frutos que estão sendo colhidos.


Fruto de pereira infestados pelo piolho de São José
(foto de C. Bénassy).

          Plantas intensamente infestadas paralisam o crescimento vegetativo, apresentam secamento de ramos e em casos extremos pode sobrevir a morte da planta. O ataque nos frutos pode ocorrer quando estes ainda estão pequenos (época de raleio) e durante os demais períodos de ocorrência de ninfas móveis. Frutos infestados, principalmente de pomáceas, perdem o valor comercial em função das pintas vermelhas.

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Leitura recomendada

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