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| Mosca-das-frutas | |
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Anastrepha fraterculus (Wiedemann 1830) |
| Ceratitis capitata (Wiedemann 1824) |
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Diptera:Tephritidae |
| Os
dípteros pragas da fruticultura de clima temperado ocorrem apenas numa família,
Tephritidae, porém são altamente prejudiciais. São as moscas-das-frutas,
com espécies nocivas em todos os continentes. Na América-do-Norte predominam as espécies do gênero Rhagoletis, de moscas pretas com manchas pretas nas asas. Nas Américas do Sul e Central ocorrem as moscas Anastrepha, de coloração amarelada e manchas amarelas sombreadas nas asas. Na Europa e na África são comuns as espécies de Ceratitis, características pelo tórax preto e abdome amarelo e asas com manchas diversas. Na Ásia meridional, Austrália e Oceania as espécies de Bactrocera (=Dacus) predominam. São moscas marrom-claro, com poucas manchas nas asas. As moscas-das-frutas são as principais pragas dos frutos de fruteiras de clima temperado cultivadas no Brasil. Das 193 espécies de Anastrepha descritas para a região Neotropical, cerca de 94 ocorrem no território brasileiro e destas, cerca de 17 são encontradas com maior freqüência no Sul do País. A. fraterculus é a espécie de maior distribuição e abundância de indivíduos nas regiões produtoras, representando normalmente mais de 90% dos indivíduos capturados em frascos caça-mosca. |
| A
mosca-do-mediterrâneo Ceratitis capitata, normalmente ocorre nas
regiões de inverno mais ameno do sul e sudeste brasileiros. Os adultos de A. fraterculus são moscas vistosas, de coloração predominante amarela e asas maculadas. Medem cerca de 8,0 mm de comprimento e apresentam, como característica do gênero, duas manchas amarelas sombreadas nas asas; uma em forma de "S", que vai da base à extremidade da asa, e outra em forma de "V" invertido no bordo posterior (figura abaixo). O aspecto geral das espécies do chamado grupo Fraterculus (caracterizado pela presença de duas faixas escuras no metanoto) é muito similar, sendo necessário o estudo do ovipositor para a separação das espécies. Os adultos de C. capitata são igualmente vistosos, porém um pouco menores (4,0 a 5,0mm de comprimento) e as manchas nas asas não formam figuras características (figura abaixo). |
![]() Indivíduo fêmea de mosca-das-frutas Anastrepha fraterculus. |
![]() Mosca-das-frutas Ceratitis capitata (foto de R. Coutin). |
Os ovos são postos no interior dos frutos, em cavidades abertas pela fêmea através de seu robusto ovipositor (figura ao lado). São fusiformes, levemente curvados e de coloração branca (figura abaixo). Medem cerca de 1,0 mm de comprimento e são postos em grupos de até 9 ovos, embora prevaleçam posturas com poucos ovos (1 a 3) por cavidade. As larvas são vermiformes, ápodas, sem cápsula cefálica definida e de coloração branco-amarelada. No seu completo desenvolvimento atingem de 8,0 a 10 mm de comprimento e abandonam os frutos para se transformarem em pupa no solo (figura abaixo). Diferem das lagartas de Lepidoptera como a grafolita, que também ataca os frutos, pois estas últimas apresentam cabeça, pernas torácicas e pseudópodes bem definidos. |
![]() Dimorfismo sexual entre: fêmea (acima) e macho (embaixo). |
![]() Ovos de mosca-das-frutas em polpa de damasco (foto de J.K. Clark). |
![]() Pupas de mosca-das-frutas (foto de R. Coutin). |
| As moscas-das-frutas ovipositam nos frutos perfurando a epiderme com o ovipositor, e muitas posturas podem ser feitas em um único fruto. A mosca-das-frutas pode fazer puncturas de "prova", não ovipositando se as condições do fruto não forem adequadas. As perfurações são imperceptíveis no início mas logo as células dos tecidos danificados morrem, e uma zona de aproximadamente 0,5mm de diâmetro fica escurecida. Em frutos verdes de maçã, o crescimento do tecido circunvizinho à postura, origina depressões que deixam o fruto deformado (figura ao lado). Em frutos que já completaram seu desenvolvimento estes sintomas de deformação não aparecem. |
![]() Frutos de maçã deformados devido a oviposições da mosca-das-frutas (foto de I. Nora). |
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As larvas se alimentam da polpa dos frutos, inicialmente em galerias, depois
numa área única, que se decompõe e apodrece, depreciando ou inutilizando
o produto, tanto para comercialização como para consumo (figuras ao lado
e abaixo). Quando as condições da polpa são propícias para o desenvolvimento
das larvas, o dano se dá logo abaixo do local de postura. Quando isto não
ocorre, as larvas tendem a percorrer a polpa, abrindo galerias em busca
de locais mais adequados para alimentação. Em frutos de quivi o deslocamento das larvas na polpa provoca uma reação de fibrose, fazendo com que a polpa fique dura e aderida à casca (figura abaixo). Já nos frutos verdes de maçã, as larvas causam manchas de cortiça, abrem algumas galerias, porém não completam seu desenvolvimento. Frutos atacados por mosca-das-frutas amadurecem precocemente e caem ao solo, ou então apodrecem pela ação de fungos que penetram pelos orifícios de postura. O prejuízo pode ser total, principalmente nos pontos de entrada da praga nos pomares (beiradas de mata, capoeira ou outros repositórios naturais da praga). |
![]() Dano interno de mosca-das-frutas em pêssego. |
![]() Dano interno de mosca-das-frutas em maçã. |
Dano interno de mosca-das-frutas
em quivi. Sobre a polpa está a porção da casca retirada da área afetada. |
![]() Bago de uva infestado por mosca-das-frutas (foto de A.L. Lourenção). |
O
ataque aos frutos de pessegueiro, ameixeira, nectarina e cerejeira pode
se dar a partir do endurecimento do caroço até a maturação. Em quivizeiro
o ataque não tem sido freqüente e em geral só ocorre a partir de fevereiro.
Frutos de caqui e nêspera normalmente só são infestados depois de amadurecidos
nas plantas. Em uva de mesa o ataque pode se iniciar a partir da troca
de cor das bagas ("veraison") (figura ao lado).
Ao contrário do que se verifica em outras frutas, o ataque de mosca-das-frutas em maçã ocorre em frutos de diferentes estágios de desenvolvimento, inclusive em frutinhos recém formados (1,5 cm de diâmetro), evidenciando ainda a falta de adaptação a este hospedeiro. |
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Aluja M. Bionomics and management
of Anastrepha. Annual Review Entomology, v.39, p.155-178,
1994. |