Ácaro rajado
 
Tetranychus urticae (Koch 1836)
Acari:Tetranychidae

Descrição
Reconhecimento dos danos

Descrição

         São pequenos ácaros amarelados com duas manchas escuras no dorso. Existe um acentuado dimorfismo sexual no tamanho dos indivíduos adultos. As fêmeas medem cerca de 0,5 mm de comprimento e têm corpo robusto (figura abaixo). Os machos, menores e mais esguios, medem em torno de 0,3 mm de comprimento. Os ovos são grandes (0,15 mm de diâmetro) esféricos e translúcidos (figura abaixo). São postos isoladamente entre os fios de teia que os ácaros tecem na página inferior das folhas. Quando fecundados originam fêmeas, sendo os machos oriundos de ovos partenogenéticos (não fecundados) .

Fêmea do ácaro rajado (foto de R.E. Oatman).

Ovos do ácaro rajado (foto de J.K. Clark).


Fêmeas do ácaro rajado em diapausa (foto de D. Cotton).
         Para atingir o estágio adulto os ácaros atravessam três outros estágios; iniciando-se com a larva (com 3 pares de pernas apenas), e passando depois por protoninfa e deutoninfa. Em todos estes estágios o padrão de coloração é semelhante ao dos adultos, diferindo apenas no tamanho dos indivíduos.
         O ácaro rajado atravessa os períodos frios do ano na forma de fêmea de inverno (Figura 142). Estas fêmeas apresentam coloração alaranjada e buscam refúgio na vegetação rasteira do pomar ou nas fendas da casca dos troncos das árvores.

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Reconhecimento dos danos

          O ácaro rajado habita a página inferior das folhas, em colônias com grande número de indivíduos. Para proteção das colônias, os ácaros tecem finos fios de teia, que sob altas infestações podem se estender até os ramos (figura ao lado).
          Os ácaros alimentam-se do líquido celular extravasado de células foliares rompidas com o aparelho bucal picador-sugador. Como conseqüência, as folhas ficam com diversas pontuações claras na página superior, que vistas de longe, dão um aspecto amarelado às folhas (figura abaixo). As folhas atacadas ficam fracas e caem prematuramente, o que resulta numa desfolha precoce das plantas.
          A queda antecipada de folhas não permite à planta acumular reservas para passar o inverno, o que resulta em floração e brotação deficientes no próximo ciclo vegetativo. Desta forma, os prejuízos em produção só ficam evidentes na próxima safra.

Formação de teia entre folhas e ramos numa alta infestação de ácaro rajado em ameixeira.

Folhas de pessegueiro com sintomas de ataque do ácaro rajado, principalmente entre as nervuras.

          Outro agravante da perda antecipada de folhas, resulta da tendência das plantas brotarem mais cedo ao término do inverno e assim aumentar os riscos de perda por geadas tardias.
          Em videira, pode eventualmente haver ataque aos cachos (figura abaixo), ficando as bagas com a película salpicada de pontos bronzeados.
          As infestações de ácaro rajado normalmente se iniciam nas folhas mais próximas ao tronco das árvores, em função da migração de indivíduos a partir da vegetação rasteira dos pomares; e sob condições favoráveis podem alcançar a planta inteira em poucos dias.


Sintomas do ataque do ácaro rajado em uva
(foto de MAPA)


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Leitura recomendada

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Janssen, A.; Pallini, A.; Venzon, M.; Sabelis, M.W. Behaviour and indirect interactions in food webs of plant-inhabiting arthropods. Experimental & Applied Acarology, v.22, n.9, p.497-521, 1998.
Lorenzato, D. Ocorrência e controle biológico de ácaros fitófagos em frutíferas rosáceas. Ipagro Informa, n.31, p.93-98, 1988.
Lorenzato, D.; Secchi, V.A. Controle biológico de ácaros da macieira no Rio Grande do Sul: ocorrência e efeito dos ácaros fitófagos e seus inimigos naturais em pomares submetidos ao controle biológico e com acaricidas. Revista Brasileira de Fruticultura, v.15, p.211-220, 1993.
Sadof, C.S.; Gibb, T.J. Spider mites on ornamentals. West Lafayette: Purdue University, 2000. http://www.entm.purdue.edu/Entomology/ext/targets/publicat.htm.
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