Guia de identificação das pragas e danos


Introdução
Guia de identificação das pragas e danos
  
Diagnóstico a partir da praga
  
Diagnóstico a partir dos danos
Breves noções de manejo integrado de pragas
  Prevenção
  Correta identificação das pragas e danos
  Inspeções e amostragens de pragas
  Limites de tolerância a danos
  Integração de métodos de controle
Leitura recomendada

Grafolitas aderidas ao visco de armadilha de feromonio


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Introdução

          Nas últimas três décadas que encerraram o milênio, o mundo testemunhou a explosão da produtividade dos cultivos agrícolas. O problema da fome parecia estar sendo equacionado, porém a um custo de degradação ambiental muito elevado. Vários casos de contaminação, notadamente com pesticidas, advieram de um uso indiscriminado e abusivo dos insumos químicos. Neste contexto, o manejo integrado de pragas e mais recentemente a produção integrada receberam uma nova ênfase, na medida em que se buscou adequar as técnicas de controle à preservação do ambiente natural e sustentabilidade da agricultura.
          Como exploração agrícola, os empreendimentos frutícolas são exigentes em tecnologia e insumos e assim, requerem do produtor conhecimentos mais apurados das técnicas de cultivo. Desta forma, o perfeito conhecimento dos organismos nocivos às plantas, bem como de sua ocorrência e de elementos de sua biologia, são indispensáveis para a implementação de um controle integrado, que acarrete menos riscos ao produtor, ao consumidor e ao meio ambiente
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Guia de identificação das pragas e danos

         A identificação das pragas ou dos danos diagnosticados é facilitada pela seqüência de passos percorridos em chaves pictórias que conduzem ao encontro do agente ou de sua ação resultante nas partes vegetais atacadas. Supondo-se que o usuário já tenha verificado a campo o agente causal (a praga) ou partes vegetais danificadas (o dano) o acesso às chaves é obtido por:

  diagnóstico a partir da praga
  diagnóstico a partir dos danos 


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Breves noções de manejo integrado de pragas

         Implementar um programa de manejo integrado de pragas é estar atento ao que acontece no pomar. Se o produtor esperar até que uma planta esteja quase morta ou altamente infestada por uma praga, só lhe restará aplicar um inseticida ou remover esta planta. Portanto, é preciso antecipar possíveis problemas antes que ocorram.
            Uma boa estratégia é examinar as plantas com freqüência, para verificar pragas, danos ou práticas culturais inadequadas; tomar nota dos problemas encontrados e aprender a reconhecer quando as plantas não estão normais ou quando a praga ou seus danos estão atingindo níveis que requeiram controle. Finalmente, selecionar medidas de controle efetivas nas condições de cultivo e menos prováveis de afetar o ambiente natural.

            O sucesso no manejo integrado de pragas prescinde de cinco componentes básicos:

  prevenção
  correta identificação das pragas e danos 
  inspeções e amostragens de pragas

  limites de tolerância a danos 
  integração de métodos de controle


Prevenção

         A prevenção é um item importante para evitar pragas, que por vezes pode passar despercebido.
         Normalmente a prevenção é planejada na implantação do pomar e engloba medidas como: uma boa escolha da área de plantio; o preparo e correção do solo adequados; a qualidade sanitária das mudas ou materiais de propagação; e a seleção das cultivares mais adaptadas à região de plantio.
         Estas medidas preventivas, se inadequadas, podem resultar num estado de estresse permanente nas plantas, tornando-as mais suscetíveis aos problemas fitossanitários.
         Exemplificando, uma escolha inadequada de cultivares de pessegueiro, pode levar a problemas crônicos de ocorrência de pulgões no pomar, que não se verificaria se a escolha tivesse sido mais criteriosa. Da mesma forma, uma escolha inadequada de porta-enxertos para macieira ou videira, pode resultar na ocorrência de pragas tidas como não mais prejudiciais como o pulgão lanígero e a filoxera.


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Correta identificação das pragas e danos

         Várias pragas ou seus danos podem parecer similares, principalmente para olhos não treinados. Da mesma forma, muitos insetos inofensivos ou mesmo benéficos (insetos predadores ou parasitóides) podem ser confundidos com pragas. Por outras vezes, sintomas de doenças são atribuídos a pragas (e vice-versa), ou então detecta-se o dano quando o agente que o causou não está mais presente no pomar.
          Estes equívocos podem ser ainda mais freqüentes, quando o produtor se depara com sintomas provocados por outros fatores que não pragas ou doenças. O efeito de encharcamento, deficiências nutricionais, fitotoxidade e má adaptação de cultivares, tem aspecto muito semelhante aos danos ou sintomas de pragas ou doenças.
          Por sua vez, danos similares podem ter origem em agentes completamente diferentes. Folhas perfuradas, por exemplo, podem ser devidas a ação de uma lagarta, de um besouro, ou mesmo de uma doença.
          Por estes motivos a correta identificação das pragas e seus danos é fundamental para se estabelecer as medidas adequadas de controle. Mesmo espécies aparentemente próximas podem requerer estratégias de manejo completamente diferentes.
          Uma identificação correta dos problemas das plantas depende da combinação de conhecimento, observação e aprendizado. O primeiro passo é conhecer as condições ambientais e práticas de cultivo requeridas por cada espécie frutífera e verificar se elas estão suficientemente adequadas. O segundo passo é comparar plantas sadias e plantas com problemas e aprender a diferenciar os padrões de dano ou sintomas. Estes padrões ajudam a revelar que agentes podem estar envolvidos no problema. Nesta etapa, a consulta a fotografias de livros ou folhetos e sites na Internet auxilia na identificação (Anexo 1).


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Inspeções e amostragens de pragas

          Inspeções regulares e processos sistemáticos de amostragem de insetos ou ácaros (monitoramento) são importantes para a implementação de um programa de manejo de pragas. As estratégias de controle mais adequadas a serem adotadas, dependerão da eficácia em se aferir em que intensidade a praga está por ocorrer. Sem este conhecimento, o controle de pragas fica limitado ao emprego de inseticidas.
          A freqüência das inspeções é variável em função do período do ano (fenologia da planta) e da praga alvo e potencial de dano. Inspeções semanais, ou mesmo a cada três dias, podem ser necessárias nos períodos críticos de ocorrência da praga, contudo o tempo investido em monitoramento compensa eventuais gastos e perda de tempo com tratamentos desnecessários.

          Para diversos insetos ou ácaros prejudiciais aos pomares já existe tecnologia para se aferir sua ocorrência, para outros porém, ainda não se dispõe de informações. Nestes casos, o aprendizado dos problemas mais comuns permitirá saber quando e o que procurar nas plantas durante as inspeções.
          As amostragens de pragas normalmente são realizadas por contagens padronizadas de indivíduos ou danos em partes da planta ou pelo uso de armadilhas para captura de indivíduos (figura ao lado). O número de exemplares contados será chave para adoção de mediadas de controle.
Clique para ampliar Armadilha de feromônio sexual para captura de mariposas

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Limites de tolerância a danos

          Em complementação ao esquema de amostragem têm-se os limites de tolerância a danos. Estes limites normalmente são dados em número de indivíduos da praga ou de percentual de dano numa parte vegetal, que são suportados pela planta, sem perdas expressivas na produção.
          Normalmente os termos nível de dano econômico e nível de ação são utilizados para designar os limites de tolerância a danos. O nível de dano econômico é o limite a partir do qual o custo para controle da praga fica menor que o valor perdido em produção, caso a praga não seja controlada. Já o nível de ação refere-se ao limite máximo tolerado para que medidas drásticas de controle sejam aplicadas. O controle no nível de ação visa impedir que a praga atinja o nível de dano econômico.
          Os limites de tolerância a danos deveriam ser dinâmicos e variar em função da cultura, cultivares plantadas, estágio de desenvolvimento das plantas e mesmo época do ano. Contudo, dada a falta de maiores estudos, estes limites têm permanecido inalterados há anos.


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Integração de métodos de controle

          Pouco adianta querer empregar um programa de manejo de pragas e adotar somente o controle químico. É preciso ter em mente a integração de diferentes métodos de controle, para evitar ao máximo as intervenções mais drásticas. São estas intervenções que desequilibram o ambiente do pomar, propiciando a ocorrência de problemas mais sérios como a ressurgência de pragas e o surgimento de raças resistentes entre outros.
          Antes da aplicação de qualquer medida de controle, é preciso verificar se a intervenção é necessária ou se será eficaz. Se for tarde demais para o controle ter efeito ou se o problema for pequeno e não ameaçar as plantas, talvez não seja necessária nenhuma medida. Quando porém, a intervenção for necessária, deve-se combinar diferentes métodos para se obter um controle mais efetivo.
          Uma escala de intervenção razoável é aquela em que métodos de controle cultural, mecânico e biológico, precedem ao controle químico. Ou seja, prioriza-se as medidas menos agressivas ao meio ambiente dos pomares.


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Leitura recomendada

Belding, R.D. (ed.). New Jersey commercial tree fruit production guide. New Brunswick:Rutgers, 1999. 145p.
Bertels, A.M. Entomologia agrícola sul-brasileira. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, 1956. 458p.
Breniaux, D. 1996 Orchard phytosanitary review. Phytoma, v.49, n.493, p.15-18, 1997.
Centro de Estudos Toxicológicos. Fundamentos do receituário agronômico. Pelotas: Cetreisul/FAEM/ UFPEL, 1978. 213p.
Chi, H. Timing of control based on the stage structure of pest populations: a simulation approach. Journal of Economic Entomology, v.83, p.1143-1150, 1990.
Dreistadt, S.H. (ed). Pests of landscape trees and shrubs: an integrated pest management guide. Oakland:University of California, 1994. 327p.
Huffaker, C.B. New tecnology of pest control. New York:John Wiley, 1980. 500p.
Nakano, O.; Silveira Neto, S.; Zucchi, R.A. Entomologia econômica. Piracicaba:Livroceres, 1981. 314p.
Pennsylvania State University. Pennsylvania tree fruit production guide. (s.l.): PennState Agricultural Sciences, 2000. 266p.
Silva, A.G.A.; Gonçalves, C.R.; Galvão, D.M.; Gonçalves, A.J.L.; Gomes, J.; Silva, M.N.; Simoni, L. Quarto catálogo dos insetos que vivem nas plantas do Brasil; seus parasitas e predadores. Parte II, 1º Tomo. Rio de Janeiro:Ministério da Agricultura, 1968. 622p.


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