Frutas de Clima Temperado Cultivadas no Brasil


 Introdução
 Frutas de clima temperado cultivadas no Brasil
  Videira
  Macieira
  Pessegueiro
  Ameixeira
  Caquizeiro
  Pereira
  Quivizeiro
  Outras fruteiras
 Leitura recomendada

Maçãs


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Introdução

        O cultivo de fruteiras de clima temperado no Brasil concentra-se nos estados da Região Sul, onde as condições climáticas, principalmente de frio no inverno, permitem um desenvolvimento satisfatório das plantas. Outras regiões de cultivo encontram-se nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e excepcionalmente, no vale do Rio São Francisco, no Nordeste.
          Neste contexto, se destaca o cultivo da videira com a maior área plantada (Tabela 1) e repercussão sócio-econômica, não só pelo produto in natura, mas por toda a indústria que movimenta. O cultivo da macieira também é expressivo em área e está, ao lado do cultivo de citros, entre as atividades agrícolas mais tecnificadas do País. Os cultivos de pessegueiro, ameixeira e caquizeiro são igualmente importantes, principalmente por viabilizar as pequenas propriedades de exploração familiar.
          Outros cultivos ainda de pouca expressão são o de pereira e quivizeiro. Além destes, também são cultivados em menor escala o marmeleiro, a nespereira, a cerejeira, a amoreira-preta e outros pequenos frutos de clima temperado como a framboesa e o mirtilo.
         

Tabela 1. Área plantada e produção das principais fruteiras de clima temperado cultivadas no Brasil

 Fruteira
Área plantada (ha)
Produção (t)
 Videira
59.946
965.000
 Macieira
30.983
687.000
 Pessegueiro
23.351
213.550
 Caquizeiro
  6.453
122.400
 Ameixeira
  4.206
  37.000
 Pereira
  1.806
  17.400
 Quivizeiro
     559
    5.600
Fonte: Epagri 2003, IBGE 2003.

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Frutas de clima temperado cultivadas no Brasil

Videira

         A videira é uma planta pertencente à família Vitaceae, cujas principais cultivares comerciais estão no gênero Vitis, em especial nas espécies V. vinifera e V. labrusca. As espécies V. rupestris, V. berlandiere e V. rotundifolia, entre outras, têm sido utilizadas em cruzamentos para a obtenção de porta-enxertos.
            A videira adaptou-se e foi difundida por diversas regiões do País. Atualmente as áreas cultivadas com uva concentram-se nas regiões Sul e Sudeste, onde Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Paraná são os principais estados produtores. Outro importante pólo vitícola está no vale do Rio São Francisco, onde produz-se uvas finas de mesa.

            As principais pragas da videira estão no grupo dos homópteros nocivos, onde destacam-se diversas cochonilhas e a filoxera. Figuram como pragas-chave:

pérola-da-terra ou margarodes - Eurhizococcus brasiliensis (Hempel);
filoxera - Dactylosphaera vivtifoliae (Fitch);
cochonilhas do lenho - Duplaspidiotus spp., Pseudaulacaspis pentagona (Targ.-Tozz.);
cochonilha parda - Parthenolecanium persicae (F.);
ácaros - Tetranychus urticae (Koch), Panonychus ulmi (Koch), entre outros.

            Como pragas secundárias estão relacionadas:

mosca-das-frutas - Anastrepha spp.;
traça-dos-cachos - Cryptoblabes gnidiella Mill., Argyrotaenia spp.;
mandarová - Eumorpha vitis L.;
besouros desfolhadores - Maecolaspis spp., Paralauca dives (Germar), entre outros;
brocas do ritidoma - Micrapate brasiliensis (Lesne), Scolytus spp., entre outros;
cochonilha algodão - Icerya schrottkyi Hempel;
mosca-branca - Bemisia argentifollii Bellows et Perring 1994;
maromba - Heilipus naevulus Mann. e grilo-mole - Anonistus scariosus (Burm.);
besouros escaravelhos- Bolax flavolineatus (Mann.), Anomala testaceipennis Blanch.
gorgulho do milho - Sitophilus zeamais (Motsk.);
ácaro branco - Polyphagotarsonemus latus (Banks);
ácaro da erinose - Colomerus (=Eriophyes) vitis (Pagnt.);
micro-ácaro das folhas - Calepitrimerus vitis (Nalepa).

            Ainda incidem sobre a parreira as formigas cortadeiras, como praga geral de todas as frutíferas, e vespas e abelhas. Estas últimas, embora relacionadas como pragas, são na verdade insetos benéficos ao homem e assim mereceram tratamento diferenciado (veja em himenópteros nocivos).


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Macieira

         A macieira pertence à família Rosaceae e as principais cultivares são da espécie Malus domestica.
         Exigente em frio hibernal, a macieira só tem tido boa adaptação nas regiões de altitude do Sul do País. Os principais estados produtores são Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

            As pragas-chave da macieira são:

mosca-das-frutas - Anastrepha fraterculus (Wied.);
mariposa oriental - Grapholita molesta (Busk);
lagarta enroladeira - Bonagota cranaodes (Meyrick), Argyrotaenia spp.;
piolho de São José - Quadraspidiotus perniciosus (Comstock);
escama vírgula - Lepidosaphes ulmi L.;
pulgão verde - Aphis citricola Van der Got;
ácaro vermelho - Panonychus ulmi (Koch).

            Como pragas secundárias ocorrem:

pulgão lanígero - Eriosoma lanigerum (Hausm.);
burrinhos - Asynonychus cervinus (Boheman), Naupactus spp.;
besouros desfolhadores - Paralauca dives (Germar), Sternocolaspis quatordecimcostata (Lef.), Chalcoplacis sp., entre outros;
broca-das-rosáceas - Scolytus rugulosus (Ratzb.), Xyleborus spp., entre outros;
ácaro rajado - Tetranychus urticae (Koch).

            Os plantios de macieira no Brasil ainda têm como ameaça a praga exótica:

traça-da-maçã ou cídia - Cydia pomonella (L.).


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Pessegueiro

         O pessegueiro também é planta pertencente à família Rosaceae, cujas cultivares comerciais são da espécie Prunus persica. A variedade botânica nucipersica, com frutos de película lisa, originou as cultivares de nectarina.
            O cultivo do pessegueiro foi adaptado e difundido rapidamente a uma grande variedade de situações climáticas nos diversos estados do País. No Rio Grande do Sul está a maior área plantada.

            Figuram como pragas-chave do pessegueiro:

mosca-das-frutas - Anastrepha fraterculus (Wied);
mariposa oriental - Grapholita molesta (Busk);
cochonilha branca - Pseudaulacaspis pentagona (Targ.-Tozz.);
pulgão verde - Anuraphis spp., Myzus persicae (Sulzer);
ácaro rajado - Tetranychus urticae (Koch).

            Como pragas secundárias ocorrem:

piolho de São José - Quadraspidiotus perniciosus (Comstock);
vaquinha - Diabrotica speciosa (Germar);
broca-das-rosáceas - Scolytus rugulosus (Ratzb.), Xyleborus spp., entre outros;
gorgulho do milho - Sitophilus zeamais (Motsk.);
tripes - Haplothrips gowdeyi (Frank.), Frankliniella spp;
ácaro do prateado - Aculus cornutus (Banks).


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Ameixeira

         A ameixeira cultivada no Brasil pertence à espécie Prunus salicina, originária do Extremo Oriente, ou é um de seus híbridos com espécies geneticamente próximas, originárias da Europa e da América do Norte. A ameixeira européia Prunus domestica, muito importante em termos de produção mundial, inclusive para produção de ameixa preta (passa), é pouco cultivada no Brasil por ser mais exigente em horas de frio.
          A ameixeira normalmente é cultivada nas mesmas propriedades onde se cultiva o pessegueiro, portanto as maiores áreas plantadas estão nos estados do Sul do País e em São Paulo. O rol de pragas também é o mesmo do pessegueiro.


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Caquizeiro

         O caquizeiro pertence à família Ebenaceae e as cultivares comerciais são provenientes da espécie Diospyros kaki.
         O cultivo comercial do caquizeiro foi inicialmente estabelecido no Estado de São Paulo, que ainda detém a maior área plantada, contudo novos pólos de cultivo estão se estabelecendo no Sul do País.

         O cultivo do caquizeiro ainda pouco padece com o ataque de pragas, destacando-se como pragas-chave:

lagarta-das-folhas - Hypocala andremona (Cramer);
tripes - Selenothrips rubrocinctus (Giard); Heliothrips haemorrhoidalis (Bouché).

            Figuram no rol de pragas secundárias ou em potencial:

mosca-das-frutas - Anastrepha fraterculus (Wied.);
cochonilha cabeça-de-prego - Chrysomphalus ficus (Ashm.);
traça-dos-frutos - Argyrotaenia spp.;
ácaro eriofídeo - Eriophyes diospyri (Keifer).


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Pereira

         A pereira é outra fruteira de clima temperado pertencente à família Rosaceae. As cultivares comerciais de pereira podem ser dividas em dois grupos básicos: as européias, originadas na espécie Pyrus communis; e as asiáticas, com origem na espécie Pyrus pyrifolia.
          Predominam no Brasil os plantios de pereira européia, que via de regra é mais exigente em horas de frio no inverno. Já o cultivo de pereira asiática está sendo estimulado no Sul do País, devendo a área plantada ser incrementada em poucos anos.
          As pragas que incidem sobre a pereira são, normalmente, as mesmas que danificam a macieira. Exceção ao eriofídeo das gemas Phytoptus (=Eriophyes) pyri (Pagnt), que apenas infesta a pereira.


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Quivizeiro

         O quivizeiro é uma planta pertencente à família Actinidiaceae, cujas cultivares comercias são da espécie Actinidia deliciosa.
         Os cultivos de quivizeiro no Brasil são recentes e se iniciaram a partir de meados da década de 80. Os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul detém as maiores áreas plantadas.

         Embora o ataque de pragas em quivizeiro ainda seja pouco expressivo, podem ser relacionadas como pragas-chave em potencial:

mosca-das-frutas - Anastrepha fraterculus (Wied.);
pérola-da-terra ou margarodes - Eurhizococcus brasiliensis (Hempel);
cochonilha branca - Pseudaulacaspis pentagona (Targ.-Tozz.).

            E como pragas secundárias em potencial:

traças-dos-frutos - Argyrotaenia spp., Clarkeulia spp., entre outras;
piolho de São José - Quadraspidiotus perniciosus (Comstock);
besouros desfolhadores - Maecolaspis spp., Paralauca dives (Germar), entre outros;
burrinhos - Naupactus spp.


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Outras fruteiras




  Marmeleiro, Pyrus cydonia, família Rosaceae (veja pragas da macieira).
  Nespereira, Eriobotrya japonica, família Rosaceae (veja pragas do pessegueiro).
  Cerejeira, Prunus avium, família Rosaceae (veja pragas do pessegueiro).
  Amoreira-preta, Rubus spp., família Rosaceae.


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Leitura recomendada

Amaro, A.A. Mercado interno de frutas. p.168-194. In: Congresso Brasileiro de Fruticultura, 15., Poços de Caldas, 1998. Conferências. Lavras: SBF/ UFLA, 1998. 232p.
Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária/Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Santa Catarina. Sistema de produção para a cultura da macieira: Santa Catarina. 3. rev. Florianópolis: EMPASC, 1991. 71p. (EMPASC/ACARESC. Sistemas de Produção, 19).
Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Normas técnicas para o cultivo de pessegueiro em Santa Catarina. Florianópolis: EPAGRI, 1995. 38p. (EPAGRI. Sistemas de Produção, 23).
Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Normas técnicas para cultivo do quivi no Sul do Brasil. Florianópolis: EPAGRI, 1996. 38p. (EPAGRI. Sistemas de Produção, 25).
Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Normas técnicas para o cultivo de ameixeira em Santa Catarina. 2. ed. Florianópolis: EPAGRI, 1996. 39p. (EPAGRI. Sistemas de Produção, 22).
Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Normas técnicas para o cultivo da videira em Santa Catarina. Florianópolis: EPAGRI, 1998. 50p. (EPAGRI. Sistemas de Produção, 33).
Faoro, I.D. Peras comerciais para as regiões mais frias de Santa Catarina. Agropecuária Catarinense, v.12, n.2, p.5-8, 1999.
Matos, C.S. A cultura do caquizeiro no Meio-Oeste Catarinense: situação, potencial e perspectivas. Agropecuária Catarinense, v.6, n.2, p.38-41, 1993.
Mondin, V.P. Frutas de clima temperado: situação da safra 1997/ 98, previsão da safra 1998/99. Videira:EPAGRI, 1998. 19p.
Peruzzo, E.L.; Dal Bó, M.A., Piccoli, P.J. Amora-preta: variedades e propagação. Agropecuária Catarinense, v.8, n.3, p.53-55, 1995.
Petri, J.L.; Palladini, L.A.; Schuck, E.; Ducroquet, J.-P.H.J.; Matos, C.S.; Pola, A.C. Dormência e indução da brotação de fruteiras de clima temperado. Florianópolis: EPAGRI, 1996. 110p. (EPAGRI. Boletim Técnico, 75).
Ribeiro, P.A.; Brighenti, E.; Bernardi, J. Comportamento de algumas cultivares de pereira Pyrus communis L. e suas características nas condições do Planalto Catarinense. Florianópolis: EMPASC, 1991. 53p. (EMPASC. Boletim Técnico, 56) .


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